Goldstein

Antes de Porto Azul - Segunda Parte


Dilemas morais são para os fracos

A neblina tomava o local da mesma forma que obnubilava os pensamentos dos heróis. Cada barulho em meio à névoa deixava-os em alerta – a sensação de serem observados pelas criaturas que os atacaram era aterradora. Após atravessarem o portão, os Cinco viram o forte e a torre que compunham o templo de Areado. Sangrando em meio ao pátio do cinzento monastério e sob a luz de uma lua vermelha, eles chegaram à conclusão que a melhor escolha seria descobrir o que aconteceu com Mikkel, o antigo mestre de Rodolfo.

Subiram as escadas laterais do forte até chegar no seu topo, onde ficava o quarto de Mikkel. Após abrirem a porta da varanda, encontraram aquele aposento vazio. O lugar era espaçoso e possuía um tipo de observatório em seu centro. Ali, os Cinco encontraram um cajado protegido por um mecanismo. Desvendando o funcionamento dele, tomaram o artefato. Lá também acharam um martelo de guerra com um grande sol gravado na sua lateral. Rodolfo pegou-o para si.

Os Cinco exploraram todo o monastério, encontraram muitos inimigos e alguns tesouros. Quando finalmente se depararam com Mikkel preso nos calabouços da torre, o mestre clérigo disse a eles que seria possível descobrir mais sobre as criaturas se eles fossem à biblioteca do local. Lá eles encontraram um livro que explicava que aqueles monstros, os núbilos, podiam ser invocados através de uma maldição. Mikkel ligou essa informação ao fato de que deixara um jovem de castigo há algum tempo atrás, lendo aquele mesmo livro. Rodolfo, sabendo que os discípulos costumavam se encontrar em uma gruta no lago sob a ponte da entrada do templo, decidiu ir lá investigar.

Encontraram, na gruta, o garoto descrito por Mikkel. Ele não deveria ter mais de 14 anos. O jovem explicou que realmente havia praticado o ritual, mas que aquilo ocorrera em um momento de fúria e que ele lamentava profundamente. Rodolfo, contudo, decidiu não ter compaixão e pôs fim à vida do menino. Os últimos núbilos então atacaram os Cinco, mas foram logo derrotados. A névoa que cobria o templo se dissipou quando o corpo da criança deu seu último suspiro de agonia.

A maldição de Rodolfo

Enquanto os heróis seguiam para desfazer a maldição causada pelo garoto, Mikkel perguntou a Rodolfo sobre o motivo dele carregar uma espada. O jovem clérigo disse que acontecimentos não tão recentes fizeram-no abandonar o culto de Areado – uma inquietação interna, destilada em um caos profundo e decorrente de uma maldição poderosa, havia feito com que ele passasse a cultuar Alma. Triste ao saber daquilo, Mikkel ofereceu-se para remover o feitiço lançado sobre seu discípulo e assim trazê-lo de volta para a fé do deus das estações. Rodolfo prontamente aceitou.

Após terem resolvido a questão dos núbilos, os Cinco e Mikkel reuniram-se, durante o dia, em um bosque numa colina próxima do monastério. Andarem até uma antiga e sagrada árvore cujo tronco claro e esguio lembrava as curvas de uma mulher magra. Rodolfo sabia o que era aquilo: a Árvore da Ninfa, o túmulo da fundadora daquele monastério, seu lugar de descanso perpétuo e também por onde às vezes seu espírito se comunicava com os seguidores do deus da mudança. Suas folhas verdes eram poucas em virtude do inverno que a cada dia se intensificava.

Mikkel disse a Rodolfo que ele deveria seguir os mesmos passos que havia feito durante a sua iniciação naquela religião. Ajoelhou-se perante a árvore e fez uma oração, que foi prontamente completada não por seu mestre, mas sim pela ninfa que havia no interior da árvore. O clérigo estava agora não mais no bosque, mas sim em um universo completamente negro diante de uma figura feminina poderosa e ameaçadora, de pele oliva e cabelos castanhos, cujos olhos tomados por sombras tinham também o brilho das estrelas. Uma coroa de flores púrpuras e amarelas adornavam seu delicado rosto, que por sua vez ostentava um nariz fino e lábios tão delicados quanto róseos. Encontrou-se com o humilde homem ao descer de uma revoada de borboletas e, quando seus pés descalços tocaram o solo negro do vácuo, revelou um vestido longo e alvo, cujas mangas escondiam suas mãos. Seu nome era Nasille.

Ela disse para Rodolfo que ele poderia voltar a seguir Areado e que a maldição seria removida, mas o clérigo ainda tinha que se provar digno do deus da mudança: como havia sido demonstrado recentemente, ele possuía pouca fé na redenção. Nasille revelou que, em suas visões, um homem atormentado viria de um enorme palácio de gelo e que perdoá-lo poderia ser a chave para vencer as guerras por vir. Se Rodolfo encontrasse-o, ele teria de ser capaz de concedê-lo uma segunda chance, ou então seria castigado. Sabendo disso, aceitou a missão.

Todavia, o que para Rodolfo pareceu uma conversa de poucos minutos, converteu-se em uma eternidade para os heróis que aguardavam em frente à árvore. Quando Rodolfo entrou em transe diante da árvore, um demônio saiu de seu corpo, lembrando um arlequim. O monstro rapidamente dominou a mente de todos os heróis, com exceção de Norton. Além disso, a criatura era capaz de se multiplicar. O anão fugiu e buscou ajuda nas Altas Montanhas, voltando com um grupo de soldados de Baldur. Com muito trabalho, mataram as criaturas, salvando os Cinco e Mikkel, além de libertarem Rodolfo de sua condição.

Pequenas aventuras, grandes aventureiros

Antes de se despedirem de Mikkel, o clérigo ancião avisou-os que a festa de Angnar, um antigo herói da Era do Gelo, devia começar em breve. Tratava-se de uma competição dos maiores cervejeiros de toda Goldstein. Lá eles se divertiram e beberam, participando de uma pequena competição onde se fazia cerveja em pouco tempo. A bebida feita ficou tão boa que despertou o próprio Angnar de seu túmulo, fazendo com que ele batalhasse contra os Cinco. No final, eles venceram e ganharam alguns presentes do cadáver reanimado.

Em seguida, descobriram que a Gilmek Joias, uma empresa das Altas Montanhas, encontrou alguns problemas em uma de suas novas minas. Buscando vender os muitos tesouros que possuíam por melhores preços, os Cinco decidiram ajudá-la. Foram até a tal mina e lá souberam que bulettes, popularmente conhecidos como “tubarões da terra”, atacaram os mineradores. Fimri, um dos donos da Gilmek, desapareceu durante o ataque.

Os Cinco então desbravaram a caverna, enfrentando os tubarões e encontrando Fimri. O anão disse que Garria, sua parceira de negócios e herdeira de seu falecido sócio, havia comprado boa parte de suas ações, sendo agora detentora da maior parte da empresa. Fimri aguardava a oportunidade de retomar seu poder sobre a Gilmek e ele havia a encontrado naquela caverna. Veios de prata se espalhavam por toda parte – bastava que os Cinco dissessem para Garria de que seria impossível destruir os bulettes e então tudo aquilo tudo seria do ganancioso empresário.

Fimri se arrependeria mais tarde ao saber que os Cinco informaram Garria, que estava do lado de fora da mina, sobre seus planos. A ansiosa dama enânica prometeu-os uma recompensa caso salvassem o antigo amigo de seu pai e eliminassem os bulettes. Apesar de não terem resgatado Fimri, destruíram os tubarões e mataram a líder deles. Informaram a anã e foram recompensados de acordo, com a promessa de serem pagos novamente dentro de um ano, quando a mina começasse a dar lucro.

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VictorSuzumura

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